Tratamento da Coluna Lombar com Inteligência Artificial: o que a ciência revela sobre hérnia de disco, dor lombar e reabilitação
- Dra Ronicleide Batista
- 7 de jul.
- 5 min de leitura
Centro de Estudos Fisiê Club
A inteligência artificial (IA) está transformando diversas áreas da saúde, incluindo a fisioterapia ortopédica, a medicina da coluna e a reabilitação musculoesquelética. Nos últimos anos, algoritmos avançados passaram a auxiliar profissionais na análise de exames de imagem, na identificação de padrões clínicos e na previsão da evolução dos pacientes.
Uma revisão científica publicada em 2025 na revista Medicina (MDPI) reuniu as principais evidências sobre esse tema, demonstrando como a IA pode contribuir para o diagnóstico e o tratamento das doenças degenerativas da coluna lombar.
Neste artigo, o Centro de Estudos Fisiê Club apresenta os principais achados da pesquisa, traduzindo as evidências científicas para uma linguagem acessível, sem abrir mão do rigor técnico.
Dados do estudo científico
Título original
Artificial Intelligence and Its Impact on the Management of Lumbar Degenerative Pathology: A Narrative Review
Autores
Alessandro Trento, Salvatore Rapisarda, Nicola Bresolin, Andrea Valenti e Enrico Giordan.
Revista científica
Medicina (MDPI)
Ano de publicação
2025
DOI
10.3390/medicina61081400
Objetivo da pesquisa
O objetivo da revisão foi analisar como a Inteligência Artificial, o Machine Learning e o Deep Learning podem auxiliar médicos e fisioterapeutas no diagnóstico, na classificação das alterações degenerativas da coluna lombar e na tomada de decisões clínicas mais precisas.
Os pesquisadores também avaliaram como essas tecnologias podem contribuir para prever a evolução do tratamento e apoiar uma abordagem mais individualizada para cada paciente.
O que são doenças degenerativas da coluna lombar?
As doenças degenerativas da coluna lombar representam uma das principais causas de dor e incapacidade em todo o mundo.
Entre elas estão:
Hérnia de disco.
Protusão discal.
Degeneração dos discos intervertebrais.
Estenose do canal lombar.
Espondilolistese.
Artrose das articulações facetárias.
Lombalgia crônica.
Compressão das raízes nervosas.
Ciatalgia.
Essas alterações podem provocar dor, limitação funcional, redução da mobilidade e prejuízo importante na qualidade de vida.
Nem toda hérnia de disco precisa de cirurgia
Uma das conclusões mais importantes da revisão científica é que a cirurgia não representa o tratamento inicial para a maioria dos pacientes.
Segundo os autores, o tratamento conservador continua sendo a primeira escolha na maioria dos casos, especialmente quando não existem déficits neurológicos progressivos, perda importante de força muscular ou alterações graves no controle da bexiga e do intestino.
A fisioterapia baseada em evidências, associada ao acompanhamento médico quando necessário, permanece como um dos pilares da reabilitação das patologias degenerativas da coluna.
A ressonância magnética não conta toda a história
Muitas pessoas acreditam que o resultado da ressonância magnética determina automaticamente a gravidade do problema.
Entretanto, o estudo mostra que essa relação nem sempre existe.
É relativamente comum encontrar pacientes com alterações importantes na ressonância que apresentam poucos sintomas, enquanto outras pessoas possuem exames discretos e sofrem com dores intensas.
Esse fenômeno é conhecido como discrepância clínico-radiológica.
Por isso, uma avaliação completa deve considerar não apenas os exames de imagem, mas também:
histórico clínico;
exame físico;
testes funcionais;
avaliação biomecânica;
capacidade de movimentação;
intensidade da dor;
limitações nas atividades diárias.
Como a Inteligência Artificial auxilia o diagnóstico?
Os pesquisadores descrevem que modelos de Inteligência Artificial conseguem analisar milhares de imagens de ressonância magnética e tomografia computadorizada em poucos segundos.
Esses sistemas são capazes de:
identificar alterações degenerativas;
segmentar estruturas anatômicas;
reconhecer estenoses;
classificar hérnias de disco;
auxiliar na interpretação dos exames;
reduzir variações entre diferentes avaliadores.
É importante destacar que a Inteligência Artificial atua como ferramenta de apoio ao profissional de saúde, não substituindo a avaliação clínica individual.
Machine Learning e Deep Learning na saúde
O estudo também apresenta o papel do Machine Learning e do Deep Learning na medicina moderna.
Esses algoritmos aprendem com grandes bancos de dados clínicos e conseguem reconhecer padrões que muitas vezes não são facilmente percebidos durante uma análise convencional.
Entre suas aplicações estão:
previsão da evolução clínica;
classificação de exames;
apoio ao diagnóstico;
identificação de fatores de risco;
auxílio na tomada de decisão.
A IA pode prever a evolução do tratamento?
Um dos pontos mais interessantes abordados pelos pesquisadores é o uso de modelos preditivos.
Algoritmos como o XGBoost e redes neurais artificiais podem estimar a probabilidade de melhora clínica considerando diversas variáveis, como:
idade;
peso corporal;
intensidade da dor;
incapacidade funcional;
características dos exames;
histórico do paciente.
Esses modelos não determinam o resultado individual de cada pessoa, mas podem auxiliar na construção de estratégias terapêuticas mais personalizadas.
O que isso significa para a fisioterapia?
A fisioterapia moderna vem incorporando cada vez mais ferramentas tecnológicas para tornar a avaliação clínica mais precisa.
No entanto, a revisão científica reforça que nenhuma tecnologia substitui o raciocínio clínico do profissional.
A combinação entre avaliação funcional, exame físico, conhecimento científico e análise individual do paciente continua sendo essencial para definir o tratamento mais adequado.
Perguntas frequentes
Hérnia de disco sempre precisa operar?
Não. Na maioria dos casos, o tratamento conservador é a primeira opção.
A ressonância mostra exatamente a causa da dor?
Nem sempre. Os exames precisam ser interpretados juntamente com a avaliação clínica.
A Inteligência Artificial substitui o fisioterapeuta?
Não. Ela funciona como ferramenta de apoio para melhorar a análise de dados e auxiliar a tomada de decisão.
A fisioterapia pode ajudar na dor lombar?
Diversas diretrizes internacionais recomendam a fisioterapia como parte importante do tratamento conservador da dor lombar, sempre de acordo com a avaliação individual.
O tratamento deve ser igual para todos?
Não. Cada paciente apresenta características clínicas, funcionais e biomecânicas diferentes.
Aplicação prática
As evidências apresentadas nesta revisão reforçam uma tendência crescente na saúde: utilizar tecnologia para apoiar decisões clínicas, sem substituir a experiência do profissional.
Avaliações individualizadas, interpretação criteriosa dos exames e reabilitação baseada em evidências continuam sendo fundamentais para o tratamento das doenças da coluna lombar.
A Inteligência Artificial representa uma ferramenta promissora para aumentar a precisão diagnóstica, organizar grandes volumes de informação e apoiar o planejamento terapêutico, contribuindo para uma assistência cada vez mais personalizada.
Como esses conhecimentos são aplicados no Fisiê Club
No Fisiê Club – Saúde Integrativa, acreditamos que a melhor reabilitação combina experiência clínica, avaliação individualizada e prática baseada em evidências científicas.
Os conceitos apresentados neste artigo fazem parte da evolução da fisioterapia moderna e reforçam a importância de uma avaliação completa, que considere não apenas os exames de imagem, mas também a história clínica, os padrões de movimento, a funcionalidade e os objetivos de cada paciente.
Nossa equipe utiliza o Método Integrativo Fisiê Club® (MIF), que integra avaliação funcional, análise biomecânica, recursos terapêuticos baseados em evidências e um plano de tratamento personalizado para cada caso. O objetivo é oferecer uma abordagem individualizada, respeitando as necessidades de cada paciente e utilizando os recursos mais adequados para promover a recuperação da função e da qualidade de vida.
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Referência científica
Trento A, Rapisarda S, Bresolin N, Valenti A, Giordan E. Artificial Intelligence and Its Impact on the Management of Lumbar Degenerative Pathology: A Narrative Review. Medicina. 2025;61:1400. DOI: 10.3390/medicina61081400.




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